quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

See you soon!

My journey in Greece ended for the third time. 
I will still post about issues happening at Oinofyta/Greece if they come to my knowledge and I find them of public interest. 
It's never the last time. It's always a "see you soon". 

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A minha jornada na Grécia chegou ao fim, pela terceira vez.
Continuarei a publicar sobre Oinofyta e sobre a Grécia sempre que achar os assuntos de interesse público.
Nunca é a última vez. É sempre um "até já".

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Oinofyta Wares






[All the photos were downloaded from OW facebook page with owners permission]

Oinofyta Wares is a small business in Greece, run by some refugees that used to  be residents of Oinofyta Camp. Since the government allowed camps to start a business in order to create a sustainable source of income to the camp and since many residents at Oinofyta were professional tailors back home, nothing would fit more than a tailor shop. 
In December 2016 the tents that were previously a form of accomodation at the camp were no longer necessary as all the residents were moved to rooms on the climatized building and that was the start of it all, reusing those tents to make the original Oinofyta Wares bags. 
As they describe it on the website: "Each bag is designed, made, and uniquely customized entirely by our tailors using our recently donated sewing machines. The bags are made from upcycled refugee camp tents and clothing that we were unable to distribute from our warehouse. All our bags are reinforced using ground sheets from the tents, so nothing goes to waste!" As I have been seing: amazing quality bags with a story attached to them, they even have tags on the inside signed by the creator of that specific item.
Since the closing of the camp, Oinofyta Wares was moved to a space in Dhilesí and there the bags are being produced by the same tailors. Those tailors are now being placed in rented flats by the factory, so they have a house, they have a job, they have a community, and this is the first step in the process of starting over. 
An amazing project, isn't it? If you also think so please stop by the Oinofyta Wares website and do some christmas shopping!

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Oinofyta Wares é um pequeno negócio criado na Grécia, operado por refugiados que foram residentes no campo de Oinofyta. Depois do governo ter dado permissão para que cada campo começasse um negócio de forma a ter uma fonte de rendimento mais sustentável e atendendo a que a profissão de muitos dos residentes do campo de Oinofyta era costura nada seria mais apropriado do que um estúdio de costura.
Em dezembro de 2016 as tendas que anteriormente serviam de abrigo deixaram de ser necessárias quando todos os residentes se mudaram para quartos no edifício climatizado e foi assim que tudo começou, com o reutilizar das tendas para criar as malas originais.
Como é descrito no site: "Cada mala é desenhada, feita e personalizada de forma única inteiramente pelos alfaites usando máquinas de costura doadas. As malas são feitas de tendas reutilizadas ou roupas doadas que por alguma razão não puderam ser utilizadas. Todas as malas são reforçadas com o plástico de revestimento das tendas portanto nada é desperdiçado."
Como tive oportunidade de ver: malas de incrível qualidade que carregam uma história e têm até o nome na etiqueta do alfaiate responsável pela criação daquele item em específico.
Desde que o campo fechou, Oinofyta Wares moveu-se para um espaço em Dhilesí mas as malas continuam a ser feitas pelos mesmos alfaiates. Estes mesmos alfaiates estão agora a viver junto à fábrica portanto têm uma casa, um trabalho e uma comunidade e isso é o primeiro passo para o recomeço.
Um projeto fantástico não é? Se também achas, por favor visita o website e faz umas comprinhas de Natal! 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Closing time.




Oinofyta Accomodation Center was a refugee hotspot, a Greek refugee camp, but also a winterized, climatized, somehow dignifying small refugee comunity inside Greece. Now it's gone, emptied, no more kids running throught the colourfull corridors. No more patients at the clinic. No more late afternoon volleyball or football games. It's closed and empty as the islands overflow with three times their accommodation space. It's closed and empty, as some of the camps with no air conditioned, no rooms but SUMMER tents, no winter conditions are open and running as winter approaches. It's closed, at least for now.
It's my third time in Greece, my third month here, but for one year and a half I've studied and followed the refugee crisis closely, learning the process, the burocracy, the laws, following the non-mediatic realistic situation, not only from the news, not only from the information I got from the camp, but from the first hand stories of those who actually live this. And if there's something I've learnt was that some of the organizations I once looked up to as big NGOs disappointed me so badly for only seing the numbers and not the needs that now I simply despise them. And that the small organisations do get sh!t done.
As endless bureaucracy it's a reality, camps should be more than few square meters per person. As waiting it's a reality, camps should be temporary communities, temporary homes, temporary happy places. As things slowly get fixed, this accomodation places should be integrating, well equiped and busy so that no one needs to watch as life gets by, so no one needs to press pause on life as decisions over their life are being made for them.
Oinofyta was not the only camp I visited, I also talked with many volunteers from other camps in order to do my master degree thesis. And yes, with many flaws, but with huge projects, with some problems but with many solutions, oinofyta accomodation center was, afterall, a good place. With nearly 150 rooms on a two floor air conditioned building, a clinic, an emergency room, a school that served many ages, a garden, two kitchen areas with gas, bathrooms and showers with hot running water, a football field, an outside gym, a praying schedule and proper place to do it, a computer lab with wifi, a beauty salon, a barber shop, a women space, a sawing center, laundry machines and so on... Anyway, just a reminder that not all the camps look or feel like prisions, not all the camps provide the miserable conditions we are everyday faced with on facebook, some do, some don't. Many articles were made regarding Oinofyta Camp, "a model camp", "an example to follow", and somehow that example doesn't fullfill anymore, not  the community, but the government needs. And I could just go on and on writting about all the wrong reasons this camp was closed and how it should't have been.
Sometimes what feels hopeless and what most certainly is and umberable situation can be eased. Sometimes beautifull things grow on hopeless places.
I always thought I would be here for the closing, on the first minute I was told that it was going to close, I instatly made my mind to be on the closing team. But things moved quicker than expected and I arrived to a closed camp. 
Things change, and we change with them. Bigger projects are now in place, dignifying projects, with comunity integration and a close relation to the Greek population. As Oinofyta Accomodation Center closed we also closed the "temporary accomodation" chapter. It's now time to go permanent. It's  time to grow some roots, it's time to make a home out of this.

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Oinofyta Accomodation Center, mais um campo de refugiados na Grécia, mas também uma pequena comunidade para refugiados, climatizada, passível de receber as condições de Inverno e de forma providenciar alguma dignidade. Agora está vazia, não há mais crianças a correr pelos corredores coloridos. Não há mais pacientes na clínica. Acabaram-se os jogos de volley ou futebol tardios. Fechou e está vazio enquanto as ilhas estão abarrotadas e acomodam 3 vezes a sua capacidade. Fechou e está vazio enquanto alguns campos funcionam sem ar condicionado, sem quartos mas tendas de VERÃO, sem condições de receber o Inverno que se aproxima. Fechou. Por enquanto por agora.
É a minha terceira vez na Grécia, o meu terceiro mês aqui, mas durante um ano e meio estudei e segui a crise de refugiados atentamente, aprendendo o processo, a burocracia, as leis, seguindo a não-mediática mas realista situação. Não só pelas notícias, não só pela informação que me era transmitida do campo mas contada na primeira pessoa pelos que a vivem. E se há algo que aprendi de facto é que muitas organizações que via como grandes ONGs desapontaram-me tanto por só verem os números e não as necessidades que chego agora a despreza-las pelo trabalho de fachada que apresentam. E as pequenas organizações, muitas dessas sim, atingem objetivos concretos respeitosos e dignificantes.
Sendo infinita a burocracia os campos deviam ser mais do que metros quadrados por pessoa. Sendo a espera real os campos deviam de ser comunidades, casas temporárias, lugares dignos e felizes. Enquanto lentamente as coisas se resolven estas acomodações deviam ser lugares que integram, bem equipados e tão movimentados que ninguém tenha de ficar a olhar enquanto a vida passa, que ninguém tenha de pausar a sua própria vida enquanto outros tomam as decisões por eles.
Oinofyta não foi o único campo que visitei, falei também com inúmeros voluntários de outros campos e até de campos noutros países para fazer a minha tese de mestrado. E sim, com todas as falhas mas também com projetos enormes, com muitos problemas mas imensas soluções, o campo de oinofyta era, apesar de tudo, um bom lugar. Com cerca de 150 quartos num edifício com dois andares e ar condicionado, uma clínica, uma sala de emergência, uma escola que serviu todas as idades, um jardim, duas áreas de cozinha com gas, casas de banho  com água corrente e quente, um campo de futebol, um ginásio ao ar livre, um horário de orações e um local próprio, um contentor com computadores disponíveis e wifi, um salão de beleza, um barbeiro, um espaço para as mulheres, um centro de costura, máquinas de lavar e muito mais... De qualquer forma, apenas para relembrar que nem todos os campos se parecem com prisões, nem todos os campos têm as condições miseráveis que todos os dias vemos em notícias do facebook, alguns sim, mas nem todos. Muitos artigos foram sendo escritos sobre este em específico, "o campo modelo", "um exemplo a seguir", e mesmo assim esse exemplo deixou de satisfazer as necessidades, não da comunidade, mas do governo. E podia passar o dia aqui a escrever e enumerar as razões erradas pelas quais fecharam do campo e infinitas razões pelas quais o fecho não devia ter acontecido.
Às vezes aquilo que parece perdido e situações que são de certeza insuportáveis podem ser aliviadas. Às vezes coisas bonitas constroem-se em lugares perdidos.
Sempre pensei que estaria aqui para o fecho, desde que tomamos conhecimento de que tal iria acontecer, instantaneamente comecei a preparar-me para estar na equipa que ia fechar o campo. Mas tudo aconteceu mais rápido do que o esperado e portanto cheguei a um campo fechado.
As coisas mudam, e nós mudamos com elas. Novos projetos já estão a ser executados, projetos dignificantes, com integração na comunidade e uma relação mais próxima à população Grega. Com o fecho do Oinofyta Accomodation Center nós fechamos também o capítulo da acomodação "temporária". É tempo de abraçar o permanente. Criar raízes. Construir casa.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Oinofyta, again!


It's my third time leaving, it will be my third time on Greece. I always thought I would be going back to the camp, different but still there, one year and half later. But the camp is now closed and we have new goals, new plans, new projects. I don't know what to expect but I am certain something good is going to come out of this. Let's go! 

~

É a terceira vez que parto, a minha terceira vez na Grécia. Sempre pensei que iria voltar ao campo, mudado, mas ainda lá, um ano e meio depois. Mas o campo fechou entretanto e agora temos novos objetivos, novos planos e projectos. Não sei bem o que esperar mas estou certa de que alguma coisa boa há-de surgir. Vamos lá! 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

~ Terra firme.


"Leva a bandeira 
Carrega o pesadelo 
Terra firme só não vale 
Porto seguro é não ter medo"

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

~ Home by Warsan Shire



"no one leaves home unless
home is the mouth of a shark
you only run for the border
when you see the whole city running as well

your neighbors running faster than you
breath bloody in their throats
the boy you went to school with
who kissed you dizzy behind the old tin factory
is holding a gun bigger than his body
you only leave home
when home won’t let you stay.

no one leaves home unless home chases you
fire under feet
hot blood in your belly
it’s not something you ever thought of doing
until the blade burnt threats into
your neck
and even then you carried the anthem under
your breath
only tearing up your passport in an airport toilets
sobbing as each mouthful of paper
made it clear that you wouldn’t be going back.

you have to understand,
that no one puts their children in a boat
unless the water is safer than the land

no one burns their palms
under trains
beneath carriages
no one spends days and nights in the stomach of a truck
feeding on newspaper unless the miles travelled
means something more than journey.
no one crawls under fences
no one wants to be beaten
pitied

no one chooses refugee camps
or strip searches where your
body is left aching
or prison,
because prison is safer
than a city of fire
and one prison guard
in the night
is better than a truckload
of men who look like your father
no one could take it
no one could stomach it
no one skin would be tough enough

the
go home blacks
refugees
dirty immigrants
asylum seekers
sucking our country dry
niggers with their hands out
they smell strange
savage
messed up their country and now they want
to mess ours up
how do the words
the dirty looks
roll off your backs
maybe because the blow is softer
than a limb torn off

or the words are more tender
than fourteen men between
your legs
or the insults are easier
to swallow
than rubble
than bone
than your child body
in pieces.
i want to go home,
but home is the mouth of a shark
home is the barrel of the gun
and no one would leave home
unless home chased you to the shore
unless home told you
to quicken your legs
leave your clothes behind
crawl through the desert
wade through the oceans
drown
save
be hunger
beg
forget pride
your survival is more important

no one leaves home until home is a sweaty voice in your ear
saying-
leave,
run away from me now
i dont know what i’ve become
but i know that anywhere
is safer than here."

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

#stopbodyshaming

So, the media keep assuming numerous women are pregnant based on online pictures. This time it was with Victoria's Secret Angel Sara Sampaio and she tweeted about it.



A woman is pregnant when there's a baby inside her uterus not when she fits some criteria of size or shape people think are standard for pregnancy bellies.

So unless you have ecographic vision please don't assume it just because she's a woman and may have that capability. 


~

Os media continuam a presumir gravidezes de mulheres com base em fotos e no perímetro das barriguinhas. Desta vez foi com a nossa Sara Sampaio e ela não tardou em tweetar a resposta. 
Uma mulher está grávida quando um bebé ocupa o seu útero não quando ela se enquadra em determiandos critérios de forma ou tamanho que as pessoas consideram standard para "barrigas de grávida".
Por isso a não ser que tenham visão ecográfica por favor não assumam uma gravidez só porque se trata de uma mulher e pode ter essa capacidade.